Salomão foi um Rei muito sábio, que tem diversas obras atribuídas a si, desde decisões de guarda entre duas mulheres que se diziam mães da mesma criança, até a posse de inomináveis riquezas e maravilhas arquitetônicas, incluindo o Templo de Salomão (reconstruído diversas vezes em Israel e replicado posteriormente em diversos lugares do mundo) e as Minas do Rei Salomão (que se tornaram tema de vários livros e filmes).

O Rei Salomão é conhecido por ter acumulado um vasto conhecimento em diversas vertentes científicas, e também em sistemas mágicos e ocultismo. Várias fontes cristãs, islâmicas e judaicas citam histórias onde o Rei possuía o poder de evocar e comandar espíritos. Em algumas versões, os poderes do Rei teriam vindo de suas práticas para entrar em contato com Deus e anjos, já em outras os ensinamentos teriam sido passados a ele por meio de suas muitas esposas, descendentes de diversos países.

Vida e Reinado

A história de Salomão é, sem dúvida, complexa, não só devido às diversas fontes que apresentam diferentes versões dos fatos, mas também por causa da ausência de comprovações escritas para a maior parte do conhecimento, que antigamente era passado entre as gerações de forma oral. De qualquer forma, são histórias que transcendem uma só religião, e influenciam as mais variadas correntes de pensamento e vertentes do ocultismo moderno.

O filho de David

O Rei Salomão reinou em Israel de cerca de 970 a cerca de 930 Antes de Cristo, antes da divisão do reino em Israel Meridional e Israel Setentrional. Salomão era filho de Davi, e foi quem recebeu do anjo Miguel a Estrela de Davi para proteção de seu reino. Posteriormente, seu filho Roboão se tornou Rei de Israel Meridional, chamada também Reino de Judá.

Salomão no Ocultismo

Dentre as capacidades de Salomão para com os espíritos, podem ser citadas interrogatórios, aprisionamento, solicitação de desejos e tarefas importantes, assim como auxílio na construção e ampliação de seu templo em Jerusalém – com movimentação de pedras e madeira em grandes quantidades e por longas distâncias. Além das habilidades relacionadas a espíritos, são atribuídas a Salomão outras vertentes da chamada Magia Salomônica, como a invocação e a evocação de poderes planetários, anjos, líderes infernais, e a ativação mágica de selos ou sigilos.

O Testamento de Salomão

O Testamento de Salomão, ou o livro dos Atos de Salomão, é uma compilação de histórias protagonizadas pelo Rei Salomão descrevendo sua implacável jornada para controlar e aprisionar os daemons com auxílio das forças de Deus, por intermédio de seus anjos. A versão mais famosa deste livro foi obtida a partir de um manuscrito grego que data dos séculos primeiro a quinto Depois de Cristo.

O Testamento inicia no decorrer da construção do Templo de Salomão, possivelmente sua ampliação, uma vez que o referido Templo já passou por várias modificações e demolições ao longo da história, algumas mesmo durante a vida do Rei. Nesta ocasião, um demônio chamado Ornias passa a ser obsessor de um dos trabalhadores preferidos de Salomão, sugando sua energia vital todos os dias após o pôr-do-sol. Salomão solicita ajuda a Deus, e recebe a visita de Miguel, que entrega a ele um anel com um selo sagrado, posteriormente chamado Estrela de Davi ou Selo de Salomão.

Usando o anel, Salomão consegue comandar Ornias, pedindo a ele que traga até ele Belzebu, mestre dos demônios, quando então solicita que o mestre traga à sua presença cada um dos demônios. Neste processo, Salomão prende os demônios, um a um, comandando-os para que façam o trabalho de construção do templo (por exemplo, cortar e carregar pedras, trançar cordas de cânhamo e preparar argila). Também aprende, neste processo, os anjos que regulam cada daemon e as estrelas e corpos celestes com os quais eles se relacionam.

Magista invocando um espírito

Magista invocando um daemon (autor desconhecido).

72 espíritos, demônios, daemons ou djinns

Salomão lidava tanto com espíritos angelicais quanto com os demoníacos, chegando a considerar que parte de sua tarefa no mundo era a de controlar o poder dos espíritos infernais. No livro Ars Goetia, que atualmente possui várias versões e cuja origem é atribuída ao Rei Salomão, são descritos 72 destes espíritos, assim como as técnicas de invocação dos mesmos.

O número e a descrição dos daemons são alterados entre os diferentes grimórios, e mesmo em relação ao Testamento de Salomão, mas os poderes destes possuem claros paralelos entre as obras, possivelmente tendo sido derivados de uma mesma versão de escritos mais antigos.

Coroação do rei Salomão

Imagem: coroação do Rei Salomão – autor desconhecido.

O Templo de Salomão

O Templo de Salomão ficava localizado na região ao Sul de Jerusalém onde hoje se encontra a Mesquita de Al-Aqsa, e apenas o pátio do antigo templo ainda existe nos dias atuais. O Templo em si foi destruído e reconstruído diversas vezes, supostamente com ajuda dos daemons controlados pelo Rei e mesmo por seus sucessores, como Herodes e Juliano (já sob império Romano).

Em todas as suas versões, o Templo foi considerado de grande importância, assim como o local onde ficava localizado. Sua construção deveria seguir as regras descritas nas Leis, por exemplo sem uso de instrumentos feitos de ferro (conforme Deuteronômio, 27:5-6).

Segundo o Testamento de Salomão, os daemons não podem tocar em ferro, e isso seria um dos motivos pelos quais esta Lei foi instaurada.

Houve acidentes e acontecimentos sem explicação em várias das reconstruções do templo, como bolas de fogo e terremotos no ano 363 D.C., conforme relatos de São Cirilo de Jerusalém, e novamente em 1536 D.C., quando o Sultão Suleiman (nomeado em homenagem ao Rei Salomão) tomou a decisão de usar o Selo de Salomão, ou estrela de Davi, para ornamentar a cidade ao redor do Templo e assim protegê-la.

Mesquita de Al-Aqsa

Imagem: mesquita de Al-Aqsa, Google Maps

As Minas do Rei Salomão

Outra região geográfica relacionada a Salomão é a das minas que se localizam no deserto ao Sul de Jerusalém, próximas à fronteira com a Jordânia. As Minas do Rei Salomão ficaram famosas por meio do romance de 1885 escrito pelo inglês Sir H. Rider Haggard, no período vitoriano.

A comprovação histórica da existência das minas ainda é escassa, porém em 2013 uma equipe de estudiosos da Universidade de Tel-Aviv encontrou indícios de que as minas localizadas no parque arqueológico do Vale Timna, em uma região conhecida como o Monte dos Escravos. Anteriormente atribuídas aos egípcios, estas minas foram datadas novamente por meio de análises de radioatividade do carbono contido nos objetos encontrados, e concluiu-se que o campo estava ativo durante o período de influência do Rei Salomão sobre a região, possivelmente sendo operado por uma etnia nômade conhecida como Edomita.

Sendo primordialmente utilizada para a extração de cobre, foram encontrados na região resíduos de fornalhas, além de cerâmica, cordas trançadas com uma tecnologia avançada, e vários tipos de instalações utilizadas para metalurgia.

Vale Timna, onde se localizavam as Minas do Rei Salomão

Imagem: Vale Timna, Google Maps

Salomão no Cristianismo

Na Bíblia, em 1 Reis 11, é descrita a vida do Rei Salomão, sendo citados seus diversos casamentos com mulheres de outros reinos: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hitéias; mesmo que isso fosse proibido pelos costumes da época.

No auge de seu império, Salomão teria prestado culto aos deuses de suas esposas, entre eles Astarte, Melcom, Moloc, Camos, e outros. Estes deuses, inclusive, teriam sido os próprios daemons com os quais Salomão entrou em contato por meio de outras manifestações, e cujos nomes foram distorcidos nas versões dos grimórios que estão disponíveis atualmente.

Este trecho da Bíblia termina com a consideração de que Salomão se afastou do Senhor, e não cumpriu suas ordens, e que todos estes aspectos estariam melhor descritos no livro dos Atos de Salomão, ou o Testamento de Salomão.

Salomão no Cristianismo

Imagem: o Rei Salomão, no comic book Habibi, de Craig Thompson.

Salomão no Islamismo

O Alcorão cita diversas obras do Rei Salomão, e entre os seus súditos e seus exércitos sempre cita animais e gênios, em possível alusão aos daemons ou djinns controlados pelo Rei. Em uma das passagens mais famosas, na Surata 27, um pássaro avisa a Salomão que existe em Sabá uma rainha mulher, Balkis, que possui um belo trono e grandes riquezas. Salomão, então, convocou a rainha ao seu palácio, para conhecer os segredos que se escondiam no Reino de Sabá.

Porém, antes que Balkis chegasse ao seu palácio, Salomão pede a um de seus gênios que traga o trono da Rainha, para que esta seja surpreendida. Salomão também usa de ilusão de ótica para que Balkis pense que o chão é feito de água. Assim, Salomão consegue impressionar a Rainha, que, segundo algumas versões, chega a se casar com ele, transmitindo seus ensinamentos Ocultos e possivelmente levando para a Etiópia a Arca da Aliança, que ficava protegida sob o Templo de Salomão.

Salomão segundo o Alcorão

Imagem: a Rainha de Sabá e o Rei Salomão, no comic book Habibi, de Craig Thompson.

Referências: