Belial
Lábia, convencimento
Belial é um Rei que comanda 80 legiões de espíritos das ordens das virtudes e dos anjos, tendo sido criado logo após Lúcifer. Aparece como dois belos anjos em uma carruagem de fogo, falando com voz agradável sobre sua queda como um dos mais poderosos espíritos que desafiaram a Deus, Miguel e os outros anjos. Distribui poderes políticos e causa o favor de amigos e inimigos, fornecendo bons familiares. Recomenda-se que sejam ofertados presentes e sacrifícios a ele.

Análise
Belial é um daemon de independência, conhecimento e desafio à autoridade, frequentemente descrito como um espírito que não se submete ao poder dominante. Nos saberes cabalísticos, ele é citado como o líder de um universo anterior ao nosso, que colapsou devido ao excesso de poder e maldade contidos nele. Esse mito sugere que Belial representa a força incontrolável da rebeldia e da autodestruição, mas também da renovação e da resistência contra imposições externas.
Nos manuscritos salomônicos, Belial é mencionado como um dos espíritos que não retornou ao seu local de origem após a quebra das urnas de Salomão. Em vez disso, ele entrou em uma imagem na Babilônia e passou a responder perguntas mediante sacrifícios recebidos. Essa imagem poderia ser a de um carneiro dourado (carneiro em francês pode ser chamado Bélier), mas tal ídolo é geralmente descrito como um bezerro associado a Baal, que, segundo a tradição, teria sido adorado pelos hebreus enquanto Moisés descia do Monte Sinai com as Tábuas da Lei. Ao testemunhar a cena, Moisés quebrou as tábuas da Torá verdadeira e buscou novos mandamentos, que se tornaram a Torá mundana, um conjunto de regras criadas para lidar com a corrupção e a transgressão humana.
Essa narrativa reforça a ideia de Belial como um arquiteto da mudança e do confronto com dogmas e estruturas rígidas. Ele não era originalmente um daemon, mas um conceito de recusa à submissão, sendo traduzido na Bíblia como “Vileness” (Vileza) e “Iniquity” (Iniquidade).
Ele se manifesta como um anjo gêmeo em uma carruagem ou como um anjo com outra cabeça na barriga, refletindo sua natureza dual e sua capacidade de oferecer conselhos sobre qualquer assunto. Seu poder não está apenas na destruição, mas também na sabedoria e na orientação para aqueles que desafiam normas e buscam a própria verdade.
Para honrá-lo, podem ser oferecidos itens de valor pessoal, especialmente aqueles obtidos com esforço e trabalho árduo, pois Belial aprecia sacrifícios reais e não meros símbolos. Os elementos mais adequados para seu altar incluem labradorita e lápis-lazúli, pedras que representam visão interior e resistência contra forças externas. Óleo ou incenso de lavanda pode ser usado para estimular a claridade mental, enquanto o cedro reforça sua conexão com a força e a resistência inabalável.
Resumo
| Número | 68 |
| Nome | Belial |
| Outros nomes | Beliaal, Beliar, Belhor, Belu, Beliel, Berial |
| Elementos | Lábia |
| Significado | Baal-Yal, “sem valor”, “sem mestre” |
| Hierarquia | Rei |
| Legiões | 50 |
| Aparência | Dois anjos sobre uma carruagem de fogo. |
| Poderes | Distribui cargos, faz com que amigos ou inimigos façam favores, concede familiares. |
| Isopsefia | Em idioma moderno, 2+5+20+9+1+20=57=12=3 |
| Tarot | 6 de espadas |
| Astrologia | Sol em Peixes |
| Decanato | 10°-20° Aquário (noite) |
| Mul.Apin | DINGIR.TUSH.As / Hercules |
| Anjo | Habuhiah |
| Entidade | Belial, da mitologia cananita |
| Outros | Beliar, da Bíblia |
Selo de Belial
